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José Delves do Carmo. José Delves do Carmo.

Dizem que nada é tão tão ruim, que não possa ser piorado. O que estamos vendo no miolo de zaga do Vasco hoje confirma essa assertiva. Saíram Luan e Rodrigo, vieram Breno e Paulão. A não ser que Breno deslanche e volte a ser aquele de início de São Paulo e Bayern, o piorado tá ganhando do ruim por larga margem.

Já Paulão é aquilo ali que ele mesmo já disse - zagueiro-zagueiro. Isola para onde o nariz aponta. Quando perto da linha de fundo se vê acossado por um atacante adversário, o torcedor vascaíno sente calafrios, pois nota-se em seus movimentos uma grande insegurança, já que a palavra "catiguria" é-lhe uma completa desconhecida.

Rodrigo em mesma situação, embora também não seja um Mauro Galvão, mais das vezes não se apavora, e sempre encontra espaço para sair jogando com um companheiro. Sem contar que em lances mano a mano com adversários, sempre leva vantagem. E mais: não se intimida com catimbeiros, já que é um de marca maior, o que deixa o rival irritado, e o faz produzir menos.

Antes que venha alguém dizer que isso é anti-jogo, uma dica: grandes craques do passado, do presente e futuro, usaram/usam/usarão tais recursos. Dé Aranha quando em escanteios jogava areia no olho do goleiro. Pelé era mestre em dar cotoveladas mágicas em zagueiros que o juiz não via, por aí.  É. Futebol também tem malandragem. Muita. Chora menos quem pode mais.

Outra coisa que Rodrigo faz também com maestria, é promover um clássico, lotar um estádio através fanfarronices. Muitos torcedores mofinos de hoje são contra. Medo. Vai que o que o farofeiro disse no meio da semana, não se confirme no jogo, e aí ficam com vergonha de ter que engolir. A esses digo: ganhar/perder é do jogo. Como dizia o falecido e lendário ex-presidente dos Gambás, Vicente Matheus - quem sai à chuva, é prá se queimar. rs,,,

Embora aqui não venha ao caso, me lembrei de outra célebre dele agradecendo à Cervejaria Antarctica em uma solenidade: "obrigado por essas Brahmas que a Antactica nos trouxe." O diretor da cerveja do pinguim, presente, e já com duas doses acima do nível do mar, ficou bom na hora. De tanta vergonha alheia. 

E o que estamos perdendo mais com a saída de Rodrigo? Em faltas centrais, e de médias e longas distâncias, lá estava ele fazendo gols. E quando de escanteios e faltas com levantamento sobre a área, invariavelmente também.

Mas Paulão também tá indo para a área, certo? Certo, só que de maneira errada, pois se posiciona mal, e pior - não é tão letal na cabeçada quanto Rodrigo em acertar o alvo. Sempre cabeceia para fora. 

E quem colocava a bola na cabeça de Rodrigo? Nenê. Sorte? Não, treino. Pode pegar maioria das faltas em que atuavam os dois juntos, e vejam onde Nenê na maioria das vezes cruzava. Na cabeça dele. 

Aqui um adendo. Percebam que eu disse cruzar, não chuveirar, e nisso Nenê é exímio.

Em tempo: chuveirar é o que Henrique faz. Poderia aproveitando que Nenê está ao lado, pegar umas aulas. Contra o Corintians cruzou, e Fabiano fez. É assim, garoto!

Então, perdemos um zagueiro que não deve nada aos melhores do Brasil hoje. Espantados? Não deveriam, pois aqui não tem melhores, tem medianos. Os bons mesmo, assim que despontam, pegam o primeiro avião com destino à felicidade.

Paneleiro? Prefiro um que produza, a um enganador, Já vi dezenas de times cheio de paneleiros vencedores. De enganadores, nenhum. No vasco hoje tem muitos desses últimos. Embora tenhamos também alegrias nos pés de Douglas, Vital, Fabiano e Nenê. E nas mãos de Martim.

E porque disse que o Vasco tem milhões de técnicos oficiais, e não apenas um, como de praxe? Por ser verdade. Quem tá escalando o time no decorrer das partidas? A torcida. O interino Milton Mendes, apenas segue as ordens ditadas. Se pedirem para colocar em campo o presidente Eurico no lugar de Fabiano, não duvido nada.

Então os técnicos/torcedores EXIGEM que metade do time do Vasco hoje - Nenê - entre em campo, e ele obedece. Se Rodrigo ainda estivesse conosco, iria acontecer o mesmo. Aquela história - ruim comigo, pior "semigo."

Sempre bati na tecla que olhassem os números positivos de quando Nenê atua e não. Hoje - acho que o UOL - mostra levantamento que com ele em campo, sobe a média de gols. Não só. Da ofensividade como um todo. Com ele e Rodrigo subiria ainda mais, acaso esse ainda fosse parte do grupo. Enchendo o meio só com defensivistas, os tais perebas, leva paulada todo dia. E pior, não faz cócegas em ninguém. Os adversários deitam e rolam. Adoram

Não bastasse a desconfiança que já tinha em relação a Mílton Mendes ser bom técnico - mediano que fosse - agora perdi a fé de vez. Sempre abominei aqueles que se curvam aos desejos da torcida. Demonstra falta de pulso, personalidade. Nisso Felipão - apesar de sofrível - é destemido. O assustadiço não passa segurança.

É. Parece que os planos do nosso arcaico estrategista, seguidor do futebol de resultados, dos técnicos "medo de perder, tira a vontade de ganhar," está indo por água abaixo. Ou escala Nenê de vez, ou perde o cargo para a torcida de vez.  


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