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É TEMPO, SIM, DE ESCOLHER O MELHOR

Como Sócio Geral do Club de Regatas Vasco da Gama e ex-sócio Patrimonial (cuja honraria virou pó nos arquivos secretos da antiga gestão de Eurico) e como articulista deste conceituado site, não posso me calar ante o que me parece errado na administração do clube. Sei que corro o risco de ter meu direito a opinião contestado pela atual administração ou ser agredido pelos partidários do atual presidente, mas considero-me preparado para enfrentar o contraditório. Minhas opiniões dizem respeito, única e exclusivamente, à forma como a administração do Club de Regatas Vasco da Gama trata seu torcedor, razão maior de sua existência. Se minhas opiniões atingem o corpo diretivo e seu chefe, isso só acontece porque eles escolheram estar lá e deveriam estar careca de saber que quando se transformam de pedra em vidraça, devem estar preparados para curar as feridas causadas pelos estilhaços. 

Como preâmbulo do meu arrazoado deixo claro que o atual presidente do Vasco foi, durante muitos anos, anteriormente à administração Roberto Dinamite, participante ativo da vida do clube, ora como dirigente vinculado ao futebol e, posteriormente, como presidente da instituição. Assim sendo, como conhecedor profundo do funcionamento da associação, jamais poderia alegar ignorância quanto à sua situação patrimonial, administrativa ou financeira. Durante os anos em que não participou da direção administrativa do clube, na gestão Dinamite, foi partícipe e presidente do Conselho de Beneméritos. Isso sem citar o fato de ter nascido em família portuguesa com laços estreitos de relação com o Vasco, onde o assunto sempre esteve à mesa. 

É IMPOSSÍVEL MUDAR

A vida nos faz fisiologicamente iguais e, ao mesmo tempo, diferentes. Assim como são as pessoas são as criaturas, já dizia o grande filósofo Didi Mocó.

Outro grande milagre da vida é que somos moldados pelo meio e assim que deixamos de ser crianças inocentes, transformamo-nos no que seremos pelo resto da vida. Por mais que tentemos mudar, alguns conceitos e princípios estarão tão arraigados em nosso íntimo que alterações radicais jamais terão espaço para proliferar.

Filosofia à parte, isso serve para corroborar a tese de que as pessoas não mudam da água para o vinho. Somos o resultado de uma herança genética, somado às influências da família e do meio. Por isso, nunca acreditei que o presidente do Vasco tivesse mudado radicalmente seus conceitos pessoais após o breve período em que esteve afastado da direção do Vasco. Assim como não acredito que seus filhos tenham pensamentos muito diferentes dos dele, bem como não acredito que seus seguidores sejam independentes o suficiente para se contrapor aos seus objetivos, claros ou ocultos.

Isto posto, tudo o que vem acontecendo com o Vasco é, e sempre será, previsível, enquanto o clube estiver sob sua tirânica condução. Infelizmente as decisões tomadas por uma diretoria que se resume a um único indivíduo, acabam angariando antipatia geral. Aversão essa que, semelhante a abominação, acaba provocando na sociedade uma espécie de repulsa à  tudo que diz respeito ao Club de Regatas Vasco da Gama. Contra esse sentimento de rejeição, os verdadeiros torcedores vascaínos (milhões espalhados pelo planeta) lutam para provar que “tua imensa torcida é bem feliz”, apesar dos pesares. 

Uma das principais causas do distanciamento do Vasco da mídia (não sou subserviente aos meios de comunicação, sou apenas realista) é o fato de que seu principal e único porta-voz é grosseiro, impertinente, egoísta, mal educado, tirânico, autoritário e alienado. Viver sem a mídia,  hoje, é suicídio, é privar os torcedores de obter informações e notícias justas sobre o seu clube de coração. 

Será que na opinião do presidente desconsiderar o mundo é demonstração de independência? Eu acho que isso é burrice (pra não dizer incompetência). Existem muitas outras maneiras de demonstrar autonomia e soberania. 

O CLUBE DITATORIAL

Nunca foi tão correto dizer que quanto mais amadora é uma diretoria, mais fácil é impor a vontade  do mandatário. Nos idos do século passado, cartolas faziam e desfaziam, desconsiderando a vontade do apaixonado torcedor. Era uma época em que se viam presidentes e dirigentes entrar em vestiários soltando os cachorros, na frente de todo mundo. A imprensa logo divulgava os episódios e o bafafá era matéria jornalística no dia seguinte. E isso era muito comum.

Agora os tempos são outros e a imprensa anseia por momentos bizarros para criar suas manchetes sensacionalistas. Infelizmente o Vasco não mudou e é uma fonte inesgotável de matérias surpreendentes e grotescas.

Num clube onde o protecionismo é escancarado a ponto de permitir que o presidente indique parentes para gerir o futebol, é o grande ditador que controla tudo, manobrando os cordéis de acordo com seus interesses. Assim, num ambiente enevoado e soturno, tenta evitar respingos à sua deteriorada imagem. Considerando-se mais dono do clube do que os próprios sócios e ignorando a verdadeira torcida, ele não abandona o leme. Belo exemplo de autoritarismo.

Isso é o Vasco de hoje, que outrora foi um extraordinário exemplo de divergência alternativa, defensor dos mais fracos, sem voz e sem vez, e que se transmutou em exemplo vulgar no universo perverso das ações dissimuladas, obscuras e tristes corrompido pelos interesses pessoais.

A transparência vira quase uma aberração, tão sofisticadas são as técnicas de acobertar ilícitos ou mascarar maus feitos. Um dos principais sintomas disso no Vasco é a descarada forma de marcar sua atuação através de atos isolados contra todos que discordam do ponto de vista oficial e seus métodos pouco democráticos. São ações administrativas isoladas, sempre com a intenção de apagar focos de incêndio causados pela própria incompetência da direção. Tentar tratar o processo democrático de eleição para a próxima gestão como um ataque terrorista contra a atual administração é uma tentativa vil de deturpar uma disputa que já está passando da hora de acontecer. A eleição é em novembro próximo e é preciso que os associados votantes se familiarizem com os possíveis postulantes e suas propostas.

Que a atual administração não vai facilitar as coisas para a oposição,  eu até imagino, pois duvido que lhes permitam conhecer a situação atual do clube, muito menos o que vem pela frente. Se o próprio Conselho Fiscal não tem acesso às informações e aos documentos, imaginem se os opositores vão ter! Com certeza o Vasco ainda está muito longe de ter um processo eleitoral completamente hígido e muito menos um futuro próximo tranquilo. O que é necessário é coragem para modernizar o clube a partir dos seus instrumentos básicos: estatuto e regulamentos. E isso não acontecerá com mais uma gestão Miranda.

Discordâncias com aliados, perseguição a opositores, ofensas a ex-administradores, ex-atletas ou, indistintamente, contra todos que se manifestam contra a forma de dirigir o clube, são atitudes cada vez mais presentes no dia a dia do clube. Briga descarada com os donos dos direitos de mídia e que adiantam dinheiro para o  clube pagar suas contas, não me parece uma tática brilhante. Puxar o saco não é indicado, mas ser cortês é o mínimo que se espera entre parceiros. Assim como tentar colocar na conta das autoridades policiais a culpa pelo ocorrido no jogo contra o Flamengo em São Januário, não me parece correto, pois não temos moral para sentar em cima do próprio rabo e falar mal dos outros, muito menos duma instituição estatal da qual dependemos, agora e sempre.

No futuro, se a oposição vencer a eleição, um trabalho muito consciente de resgate da imagem do Vasco deverá ser realizada. O rancor deverá ser combatido com muita paciência pois o Vasco se transformou numa instituição mal vista, por conta de tudo que já citei (e muito mais que não cabe neste espaço). Resumindo, o trabalho de relocação do Vasco no lugar de destaque e na vanguarda das iniciativas sociais que o caracterizou desde os primórdios de sua existência, dependem de uma mudança na abordagem das relações com seus torcedores, seus funcionários, seus rivais e a sociedade como um todo.

Como todo vascaíno é um ser privilegiado, sugiro transformarmos o bordão do infeliz dirigente que afirmou que “o respeito voltou”, e que infelizmente não se concretizou, em “o respeito voltará”  se as oposições vascaínas se unirem em uma frente verdadeiramente honesta e bem intencionada, com foco nos torcedores do Vasco da Gama. Vaidade, orgulho, egoísmo e interesses pessoais devem ser substituídos por vontade de trabalhar em prol dessa multidão de admiradores, concedendo-lhes a felicidade de cantar nos estádios o amor que têm pelo clube.

Nada mais bonito do que dizer para o mundo que somos uma coletividade feliz, que irradiamos esperança e contribuímos para um mundo melhor. É hora de unirem-se todos os grupos de oposição!

Está nas mãos daqueles que têm boas intenções, poder e disponibilidade de ajudar o clube, desarmarem-se e unirem-se em uma grande campanha de ressurgimento do Club de Regatas Vasco da Gama. Se não encontrarem motivos para isso, façam pelos 15 milhões de vascaínos espalhados de norte a sul deste país, afinal somos ou não somos o time da virada, somos ou não somos o time do amor? E que nossa estrela volte a brilhar e iluminar o mar e nossas almas.

Saudações Vascaínas! 

 


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