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Muitos podem pensar que o importante é permanecer na série “A” do campeonato brasileiro. Para mim isso é importante, porém não primordial. Independente de qual campeonato o Vasco disputará em 2016, o mais importante é saber se o clube continuará sendo grande ou encolherá? E isso não dependerá da colocação do Vasco no final do campeonato, será resultado da avaliação das ações de uma administração.

Uma instituição séria, que respeita seus investidores, associados e clientes, se estrutura de forma competente e age de forma profissional. Como instituição centenária e tradicional, o Vasco já ultrapassou o limite do amadorismo administrativo. Não conheci uma administração profissional no Vasco. Quase tudo é decidido de forma obscura, com envolvimento de poucas pessoas, sem respeito aos associados, torcedores, autoridades e, às vezes, ao arrepio da lei. As prestações de contas são esporádicas, assim como o Balanço, sempre atrasado, e repleto de erros.

Numa instituição séria, planeja-se os próximos passos. Olha-se o futuro com visão de longo, médio e curto alcance. Isso eu nunca vi no Vasco. Nunca soube de um planejamento para 1, 5, 10 anos. Sem isso, nenhuma empresa sobrevive, a não ser o Vasco, que tem em sua torcida a fonte da eterna juventude e de sobrevivência. Não fosse pela existência de um número enorme de admiradores, o Vasco já teria soçobrado. Uma empresa esportiva, principalmente no ramo do futebol, tem uma característica única que a difere das demais empresas: possui no torcedor uma dualidade beneficente, que tanto é cliente associado como cliente usuário. Tanto pode contribuir com pagamento de taxas, mensalidades e contribuições, como com aquisição de ingressos para suas aparições competitivas.

Essa dualidade, torcedor associado/contribuinte e torcedor pagante de ingresso, é a sopa no mel para quem decide candidatar-se a cargo diretivo de clube esportivo. O Vasco possui uma torcida fiel e que ocupa espaço, há muitas décadas, como uma das maiores do país. Isso é uma dádiva para dirigentes inescrupulosos e/ou amadores. Por isso os clubes de futebol são as instituições menos rentáveis do Brasil, normalmente dirigidas por amadores, apaixonados (ou não), vaidosos e orgulhosos. O dinheiro vem dos torcedores, direta e indiretamente: seja através de ingressos e mensalidades, seja através de patrocínios fundamentados no tamanho de sua torcida. Se a torcida do Vasco fosse do tamanho da torcida do Arranca Toco Futebol Clube, provavelmente não conseguiria investidores/patrocinadores de peso. Outro fator para não conseguir bom patrocínio é a má fama dos dirigentes pois, quanto menos conceituados forem, menos interessados atraem.

Nos países do primeiro mundo que possuem o futebol como esporte de massa, o torcedor é respeitado e isso se dá através da reciprocidade entre organização institucional e espetáculos de excelente nível. O torcedor exige bons espetáculos (em todos sentidos) e o clube sabe que só pode atender essa expectativa se possuir uma administração profissional. Um calendário com dias e horários respeitados, com ligas comprometidas, estádios confortáveis, transporte público e estacionamentos com qualidade, segurança pública, etc., exigem do clube uma atuação profissional. Sei que estamos muito longe disso, mas ou perseguimos esse objetivo ou o futebol deixará de atrair multidões.

Quanto ao Vasco, que comece a agir como nunca agiu, colocando o profissionalismo acima da paixão, deixando para o torcedor o papel de protagonista. Que o torcedor seja o apaixonado e que o dirigente seja o instrumento que, através da sua expertise, ofereça ao verdadeiro cliente o espetáculo de qualidade que ele vem pagando a décadas e que raramente recebe.

Já é hora de olharmos para o futuro e investir em modernização administrativa. Planejar, organizar, orçar e cumprir. Transparência e prestação de contas. Receitas e despesas contabilizadas corretamente e ajustes quando necessários. Modernização de normas e procedimentos, regras e pareceres. Critérios de justiça claros e humanos, com amplo direito ao contraditório.

Por isso, o importante não é cair ou não cair, ficar ou não ficar, o importante é amadurecer, evoluir. Seriedade, honestidade, inteligência, profissionalismo, comprometimento e dedicação são atributos inerentes a todos os dirigentes, de todas as instituições, inclusive aos dirigentes de clube de futebol. Ao Vasco, cabe acrescer à sua bela história, também, um capítulo reservado à mudança entre o amadorismo e o profissionalismo. Não interessa se o dirigente foi um ex-atleta de nome e conceito ou se foi um dirigente experiente com currículo extenso. O importante é ser competente!

Ah, antes que esqueça, minha opinião não é mera coincidência e a essência desse artigo se aplica a outras associações desportivas, também..., mas primeiro o Vasco! SV.

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