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Antes de inicar a leitura, peço que acessem o link abaixo. Leiam a letra e escutem esta canção de Mílton Nascimento, por favor...

https://www.letras.mus.br/milton-nascimento/47431/ 

Nada me parece ser pior do que iniciar um texto para tentar justificar, mais uma vez, uma exibição muito abaixo do desejado de um time do Vasco em uma partida decisiva contra o Flamengo. Aliás, não haveria de tentar justificar absolutamente coisa alguma, pelo menos de nossa parte, torcedores, já fartos de tantas estorinhas e nenhuma ação prática no sentido de mudarmos nossa postura, tão caótica e fadada aos fracassos há algum tempo...

Perder para o arquirrival rubro-negro nas finais há vinte anos (desde 1999) parece como a teoria de muitas pessoas sobre a morte: quando ela chega, vai ter sempre alguém tentando justificar ou, simplesmente dependendendo da fé de cada um, "era o momento da pessoa partir"! No caso do Vasco perante o oponente algoz das decisões, sempre haverá um motivo para dizer o porquê da falta de garra, de luta, de entrega, de futebol...por parte da torcida, sempre haverá um motivo para desistir, para se abater, para não comparecer...é o nosso eterno ciclo vicioso das "síndromes de Peter Pan", ao que parece, agora em estágio quase tendendo ao incurável.

A derrota do Vasco, no jogo deste domingo, começa a se explicar na entrevista do treinador-aprendiz Alberto Valentim à beira do campo momentos antes da bola rolar. Ao que ele trata de "um jogo a ser estudado", o adversário trata como "um jogo a ser vencido". Embora o Vasco tenha um time tecnicamente inferior ao seu adversário - resultado de anos a fio de más gestões no Club, também, entre outros fatores - há o consenso de que poderia partir a campo com espírito de decisão, e não como alunos-aprendizes à cara de seu treinador tão somente aptos a estudarem seu adversário, o que não foge de fato muito à realidade do contexto...

Entretanto ao menos, quem não pode ser o melhor, muitas vezes tenta ser o maior, haja visto que o "não" já é garantido, então, por que não a coragem necessária para ir em busca do "sim"? Em outras épocas, o próprio Flamengo tirou do Vasco conquistas importantes, como os estaduais de 1999 e 2000, levando a sério esta visão...e no Vasco, cadê a autoestima necessária para fazer o mesmo?! Em suma: cabe ao adversário o papel de protagonista; ao Vasco, o de subserviente coadjuvante, para ficar barato...

E durante este tempo ao longo das duas décadas de fracassos sucessivos perante o arquirrival em jogos decisivos, fica a sensação de que a doença é institucional: começa dos portões para dentro de São Januário. Hoje se não regados às bravatas do passado nem tão distante, os fracassos vêm com a sensação de que pequenez mesmo. E não importa aos jogadores que lá passam - e em especial, a este grupo também - os deboches que vêm de parte da imprensa; jornal estampando em sua capa no dia seguinte após o jogo contra o Bangu de que "O vice está garantido", entre outras afirmações que poderiam, ao menos, mexer com o ego dos jogadores, ferir o orgulho, ajudar-lhes a entrarem com espírito de decisor ao invés do de aprendiz.

Nesta ciranda está, ainda, a torcida do Vasco, a cada dia mais ausente nas decisões contra este rival em específico. Não se fez presente em outras ocasiões; não se fez presente neste domingo e, ao que conheço depois deste resultado, não se fará presente no próximo domingo, em pleno Maracanã, palco este pivô de protestos de nossa diretoria e considerado como "nossa segunda casa".

Faz tempo que o Vasco e sua torcida estão com espíritos desencontrados de sua história de lutas. Ao que parece, os títulos e ídolos escritos na trajetória do Club não são suficientes para motivar a todos em um momento institucional em que a briga é pela própria sobrevivência, sabedores nós de que uma conquista em uma final poderia ser a catapulta necessária para devolução de um pouco de autoestima ao Club e seus torcedores, para se dar uma resposta à Flaprensa, além de romper com o mantra de que "o Vasco não vence seu arquirrival em decisões".

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Durante o jogo, o time do Vasco correu sério risco de perder seu arqueiro titular Fernando Miguel, por sinal o ÚNICO desse elenco que tem condições de defender o Vasco. Há tempos TODOS são sabedores que os demais goleiros do plantel não estão à altura do Club, à exceção da alta cúpula de futebol do Vasco, que continua a ignorar esse fato, entre outros.

Faz uma semana que os jogadores, na sala de entrevistas coletivas, defenderam a si próprios, mas não seu próprio treinador, tampouco o gestor de futebol Alexandre Farias. Há tempos que seu trabalho é motivo de questionamentos e desconfianças com a qualidade dos jogadores trazidos por ele e a forma como conduz a negociação em outros casos, tal como a renovação de contrato de Máxi López.

Submerso a um mar de incertezas, resta a mim somente uma certeza: ainda que saibamos das dificuldades financeiras, Valentim, Farias e PC Gusmão, dificilmente, devolverão ao Club resultados melhores do que esses. Perante um campeonato brasileiro batendo à porta, algo tem que ser feito sob pena de mais trinta e oito rodadas de "batismo de fogo", com fortes e desagradáveis emoções...mais uma vez! 

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Na próxima quarta-feira, mais uma decisão contra o Santos! E lá vamos nós de novo, com Valentim à beira do campo (ainda que sua liderança aparente estar em ruínas) e o que ele resolver, agora, tirar de sua cabeça para colocar em campo! Deixar a Vila Belmiro ainda "a respirar sob aparelhos" já será um grande feito em face ao momento de total declínio técnico e comportamental de um time que se arrasta em campo desde o início da Taça Rio, para ficar barato...

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"Mas é preciso ter força, É preciso ter raça, É preciso ter gana sempre...Quem traz no corpo a marca...Maria, Maria. Mistura a dor e a alegria...Mas é preciso ter manha, É preciso ter graça, É preciso ter sonho sempre...Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida"...

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