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Quando se trata de comentar e escrever sobre o Vasco, torcer para o Vasco, criticar ou administrar um clube do tamanho do Vasco da Gama, a primeira palavra que nos vem à mente é: respeito.

A história do Vasco não admite que alguém o trate de forma irresponsável, inconsequente, insensata e leviana.

Nem o torcedor pode ser desrespeitoso, mesmo que possa ser passional.

Nem a imprensa pode ser tendenciosa, mesmo que tenha a permissão de se manifestar publicamente.

Nem os dirigentes, administradores, conselheiros e funcionários podem denegrir a instituição, mesmo que possuam autoridade para agir.

Não podemos, nós, verdadeiros sócios e torcedores, admitir o que assistimos há, pelo menos, duas décadas no Vasco. São frequentes os desmandos e abusos que ocorrem no Club de Regatas Vasco da Gama.  A desfaçatez e o cinismo se tornaram marca registrada das últimas administrações do clube. E nada mudou...

Isso vem provocando uma brutal desvalorização da reputação do clube em relação aos demais consortes.

Essa depreciação da imagem da instituição provoca uma queda na influência do clube no mercado da bola.

Quanto menor o prestígio, menor o poder de atração de possíveis investidores.

Isso acaba criando uma bola de neve que só cresce e nos distancia da grandeza de outrora.

Sem ascendência e sem crédito, não conseguimos atrair bons ativos, o que nos torna presa fácil num ambiente repleto de pessoas sem escrúpulos, que buscam sobreviver no segmento, observando, em primeiro lugar, os interesses pessoais e a obtenção de lucro imediato. São os famosos sanguessugas do esporte.

Em algumas situações, pessoas, empresas, associações, instituições e/ou países, se tornam tão frágeis que sair do buraco é quase impossível.

Situação pela qual passa o Vasco não é resultado de um deslize ou um tropeço administrativo. É algo muito mais grave e reflete muitos anos de desmando e de ações intempestivas e autoritárias de seus administradores. E o problema não é o uso do autoritarismo em si, mas sim o mau uso do absolutismo. Se a prepotência tivesse sido utilizada para obtenção de resultados positivos, com certeza estaríamos analisando uma administração monocrática de sucesso. Não seria o ideal, posto que nossa história valoriza o sistema democrático, mas não poderíamos negar a existência de uma administração exitosa. Infelizmente esta não foi, e continua não sendo, a nossa realidade.

Não conseguimos resultados esportivos que nos colocassem à frente de nossos concorrentes, muito menos à frente de nossos rivais tradicionais. O Vasco acabou sendo conhecido mais pelas suas derrotas do que por seus êxitos e isso, com absoluta certeza, reduziu muito nossa autoestima. Somos, hoje, um clube que nada oferece a seu torcedor e que não possui moral para cobrar dele maior comprometimento.

Muitas quedas e poucas conquistas colocaram o Vasco numa classificação intermediária e deplorável entre os clubes esportivos brasileiros. Muito mais gritante fica o declínio, se considerarmos que a maioria dos clubes não possuem a história e a longevidade da nossa instituição.

Se compararmos o nosso desempenho esportivo atual com o do passado, quando fomos exemplo de performance para o país e principal fornecedor de atletas para as seleções nacionais, fica extraordinariamente latente a queda de nosso rendimento.

O pior é que os regimes autoritários incompetentes geram filhotes difíceis de ser controlados, cujas ações, infelizmente,  interferem no funcionamento da instituição e causam danos profundos à mesma.

Muitos anos gestando, parindo e acobertando as ações de sua prole, seus mentores fizeram do Vasco um covil para esses seres nefastos.

São descendentes, sucessores, asseclas, X-9, aspones e herdeiros de administradores autoritários que se acostumaram a viver o (e do) Vasco. E quando uma dessas crias se acostuma com este ambiente familiar, difícil é fazer com que o abandone.

Temos, infelizmente, uma geração de pessoas que, graças ao acobertamento que lhes fornece nosso Estatuto e nossos Regulamentos internos, são verdadeiros proprietários de cadeiras vitalícias nos conselhos da instituição, dividindo o clube em autênticas capitanias hereditárias.

O mais engraçado é que acabamos nos tornando reféns de nossos próprios instrumentos de gestão, pois para livrarmo-nos dessa armadilha e modificar nossas normas, precisamos da aprovação de uma grande quantidade das pessoas que não as quer modificar, para não perder o poder.

Infelizmente herdamos de nossa Pátria Mãe, não apenas as coisas que trazemos no coração e a linda história de nosso clube que tanto nos orgulha mas, também, a doutrina e os regimentos próprios do sistema cartorário de nossos colonizadores.

Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar foram muito felizes quando intitularam com precisão a sua peça teatral de 1966, que se adequa com perfeição à situação atual do Club de Regatas Vasco da Gama: “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

Eu acho que sei como chegamos a essa  situação: descaso, descuido, desídia, desleixe, desmazelo, displicência, negligência, relaxamento. Quaisquer destes substantivos, ou todos eles, exemplificam o que deixamos que fizessem com nosso querido clube. Somos todos culpados, os atuais sócios e os que desistiram ou foram expulsos pelos monocráticos atos de administradores de então. Nos deixamos enrolar por aqueles que se apropriaram da instituição e a transformaram em um quintal de suas casas. Usaram e abusaram da estrutura e dos recursos que nossos antepassados construíram e doaram com amor.

Aos fundadores do Vasco e a todos que, de alguma forma ajudaram a construir São Januário e nosso patrimônio, pedimos desculpas por nossa inércia e prometemos lutar para recolocar o clube no lugar de destaque e prestígio que merece e de onde nunca deveria ter saído.

Ou o vascaíno sai da toca e age, ou o Vasco desliza ladeira a baixo, com pouca expectativa de se recuperar.

Milhões de torcedores do clube com a mais linda história do mundo se perguntam: o que fazer? A resposta está no parágrafo anterior: SAIA DA TOCA!!!

Dizem que somos mais de dez milhões de vascaínos. Verdade? Não sei. Mas somos muitos, ainda... Podemos ser muito mais que dez milhões, ou pouco mais que dez milhões, ou um pouco menos... não importa. A verdade é que se nada fizermos para desatolar o Vasco, seremos cada vez menos... até sumirmos na poeira da estrada. Daí, o que diríamos a nossos pais, avós, bisavós, tios, amigos que nos mostraram o caminho do amor eterno ao clube? Que diríamos a nós mesmos que nos acostumamos a cantar de coração, nos estádios ou na frente da televisão, de norte a sul, orgulhosos de sermos uma imensa torcida bem feliz?

Vamos deixar nossa estrela se apagar?

Ou o brilho da nossa estrela, na terra a brilhar continuará a Iluminar o mar?

Depende de nós!

Saudações Vascaínas!

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