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“Com grande poder vem grande responsabilidade”. Se não me falha a memória, esta frase lapidar, de origem secular, utilizada por grandes personalidades como Winston Churchill e Franklin D. Roosevelt e, recentemente, consagrada por Ben Parker (o tio de Peter Parker, o Homem-Aranha), se aplica com propriedade ao malfadado VAR dos jogos de futebol brasileiro.

Como acontece com a maioria das boas ações que importamos do exterior, cabe aos maus brasileiros deturpar e desacreditar sua aplicação. É inacreditável a capacidade que temos de esculhambar as novidades que vem para melhorar o esporte.

Se antes, num jogo de futebol, o poder de interpretar as intenções e/ou os acontecimentos cabia ao árbitro, agora (contrariando a orientação definida), várias pessoas discutem o que acontece no campo durante um jogo. Isso não pode dar certo...

Se na “sala da justiça” dos quadrinhos (o quartel-general dos Super Amigos) predominava a coerência, aqui no VAR, num resguardado e secreto cubículo com ar condicionado, predomina um critério de hierarquia desconhecido, na prática.

A responsabilidade ficou diluída entre várias pessoas, com poderes e influências mal definidas, com a dissimulada desculpa e falsa justificativa de que a palavra final é do árbitro.

Isso é uma balela pois quem aciona o juiz, quase na totalidade das vezes, é o VAR e o faz porque duvida da decisão do árbitro.

Assim sendo, já se parte do princípio de que o juiz não viu alguma coisa que deveria ter visto, ou seja, errou ao tomar sua decisão. Já se coloca em dúvida a interpretação de quem está em campo, seja porque acham que ele não viu a jogada, seja porque discordam de seu critério de avaliação.

Dessa forma, o árbitro, além de ter que se “preocupar” com a avaliação que os torcedores fazem de sua atuação, tem que se preocupar em “agradar” a equipe do VAR, bem instalada em seus aposentos refrigerados.

O mais importante é que essa diluição do poder da arbitragem acaba encobrindo os verdadeiros culpados pelos erros. Agora, quando uma interpretação provoca uma mudança de veredito sabidamente inconsistente, ninguém sabe de quem foi a culpa.

Mesmo que se queira imputar ao juiz o direito de dar a última palavra, ninguém vai ficar sabendo se ele foi influenciado ou não para mudar sua decisão. Isso porque não existe uma definição clara dos poderes de quem participa dessa deturpada concepção adotada no Brasil.

 

Agora o torcedor não sabe mais se deve “xingar” a mãe do juiz ou as mães da equipe do VAR... ou todos...

A verdade é que essa deturpação da utilização de um recurso moderno e tecnológico é típica dos países tupiniquins e seus pequenos reinos internos, no nosso caso, a republiqueta da CBF, com seus tentáculos intocáveis e disseminados pelas diversas federações estaduais.

Uma coisa que surgiu para dirimir dúvidas acabou se transformando num problema maior do que sua causa.

Pensávamos que problemas quase imperceptíveis ao olho humano, como uma saída de bola pela lateral ou fundo de campo, um cruzamento que tenha feito uma curva por fora das quatro linhas, o toque do goleiro fora da área com as mãos, se o gol foi feito intencionalmente com as mãos, se a bola ultrapassado a linha de gol ou se a falta foi dentro da área e muitas outras, poderiam ser resolvidos pela utilização da tecnologia.

Uma tecnologia que seria usada em casos em que uma jogada tenha fugido à percepção do árbitro, seja porque foi muito rápida ou ele estava encoberto ou mal posicionado, etc., acaba sendo “desculpa” para mudar resultado de um jogo

Existem centenas de situações em que o VAR pode auxiliar o árbitro sem precisar interferir no quesito “interpretação pessoal”.

Porém, é crônico em nosso país, deduzirmos que somos melhores que os outros e temos que dar nossa “contribuição” para “melhorar” o processo. E assim fazendo, estragamos tudo.

Assim, os jogadores tem que esperar por decisões demoradas, perdem o aquecimento e ficam sujeitos a lesão musculares. Esperam, constantemente, cinco, seis, sete ou mais minutos por uma decisão dos “Bozos de plantão”.

No caso do jogo entre Vasco e Grêmio, além do resultado, influenciaram diretamente sobre o ânimo/desempenho dos jogadores do Vasco ao anular, muitos minutos depois, um lindo gol de Pikachu, marcando uma inexistente irregularidade no lance.

Outra coisa interessante tem acontecido com relação aos auxiliares (bandeirinhas). Eles não são mais necessários, a partir do momento em que são orientados a deixar o lance correr para decidir posteriormente sobre a ocorrência, ou não, de uma irregularidade. Assim, fica cômodo decidir. Se a jogada não deu em nada, ele deixa seguir o jogo, com o consentimento do VAR, caso contrário, deixa não mão do VAR decidir. Então, para que servem os auxiliares do árbitro?

O VAR (CBF) deve usar a experiência de esportes que há muito tempo já usam recursos de vídeo para melhorar seu desempenho. Além de entender que esses recursos não devem se aplicar a lances interpretativos (isso é prerrogativa do árbitro principal) e se o juiz tem decidido de forma inconsistente, incoerente ou incompetente, que seja punido, assim como seus chefes que avalizaram sua escalação.

No futebol americano, por exemplo, as regras são claras e inflexíveis, de tal forma que a atuação dos árbitros são padronizadas, provocando uma sensação de segurança, porque há respostas idênticas a casos semelhantes, em qualquer jogo, em qualquer estádio, em quaisquer confrontos.

No futebol americano, maus árbitros são demitidos, como acontece com maus empregados em quaisquer empresas. No futebol com os pés, os árbitros não são profissionais, por isso se passa a mão na cabeça de verdadeiros sopradores de apito.

No caso do nosso futebol é muito perigoso essa interferência constante do VAR. O futebol é um esporte que congrega um número enorme de participantes entre jogadores, dirigentes e profissionais, além de reunir milhões de torcedores, que fazem deste esporte o mais popular do mundo. Imaginem quantos milhões de reais circulam no futebol, inclusive em apostas.

Será que o VAR pode decidir um jogo? Pode manipular apostas? Pode influenciar a direção que a roda da fortuna deve tomar?

Estamos enveredando por um caminho perigoso. Podemos estar criando verdadeiras quadrilhas de mau intencionados no futebol. Eu não acredito em erro, acredito em incompetência, prepotência, vaidade, e más intenções.

Tenho dito!

Saudações Vascaínas!

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