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Vocês já pararam para pensar que tudo que acontece de ruim em qualquer segmento da sociedade nos pega de surpresa e demoramos muito tempo para reagir. O futebol é um dos segmentos que sofre um enorme desgaste por conta das costumeiras más administrações.

Uma parcela significativa da sociedade se interessa pelo futebol e faz parte desse mundo esportivo que reúne desde torcedores, sócios, atletas, treinadores e profissionais da área, instituições diversas, empresas e empresários, patrocinadores e investidores, etc, etc, etc.

Assim, durante os últimos trinta anos o Vasco da Gama sofreu um desmanche continuado. Não me interessa os motivos pelos quais as pessoas destruíram o Vasco da Gama. Não me interessa se elas tinham boas ou más intenções, se foram incompetentes ou azaradas, vaidosas, soberbas, idiotas, presunçosas, arrogantes, narcisistas, fanfarronas ou bravateiras.

A verdade é que nos últimos trinta anos sofremos um desmantelamento contínuo e sem resistência, porque é da natureza humana confiar naqueles que exercem cargos relevantes, como os diretivos, sob o princípio da óbvia notoriedade: “se ele chegou até aqui  é porque é  o melhor" acreditamos nós,  pelo menos até cair na real. Mas, infelizmente, os espertos, os aproveitadores usam da boa fé da maioria das pessoas para promover sua destruição, intencional ou não, e o poço vai ficando cada vez mais fundo. E, óbvio, quanto mais continuado for o estrago, mais difícil se torna consertá-lo. E esses estragos, lógico, resultam em uma desgraça econômica enorme e prejuízo financeiro, às vezes incalculável. Por vezes, e quase sempre ocorre isso, os valores dessas perdas financeiras são dificeis de mensurar mesmo após uma competente e profunda auditoria.

Mais frágil se torna a instituição quando cai nesse poço. E a história se vai repetindo, cabendo, quase sempre ao governo, socorrer esses clubes eternamente endividados. Mas são ajudas feitas às custas do dinheiro do tesouro Nacional, ou mais precisamente dos impostos que pagamos. Até quando a população aceitará pagar a conta dos abusos (pra não usar um substantivo mais contundente) desses dirigentes? Por isso sou simpático ao PL 5082 da Câmara dos Deputados que trata da Sociedade Anônima do Futebol, que sofre oposição de outra proposta mais recente e que não resolveria o problema do endividamento dos clubes porque que cai nas velhas práticas subservientes já conhecidas e que não funcionaram em tantas decisões já tomadas para ajudar os clubes.

Outro PL acaba de dar entrada no Senado, nos moldes da SAF. Parece-me uma boa proposta que não coloca nas costas dos contribuintes os erros da incompetência (ou sei lá o que) dos nossos dirigentes de clubes de futebol. Vou me aprofundar e voltarei a dar minha opinião. Por enquanto vou ficando por aqui acreditando que só sendo administrado de forma profissional e negocial, o Vasco voltará a entrar nos trilhos. E com certeza quem é Vasco continuará sendo Vasco e como diz o profeta, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Com certeza que o torcedor seria tratado com muito mais respeito do que é hoje. Mais ainda quando se é sócio de uma instituição que visa lucro, como uma sociedade anônima, assim como milhões de empresas privadas existentes no mundo. E claro que o sócio atual do Vasco teria interesse em contribuir para o crescimento e a lucratividade do clube empresa, que manteria seu nome associado ao clube social, de esportes amadores e de outros esportes profissionais, pois ele também seria beneficiado. E, com certeza, nenhum vascaíno deixaria de torcer para o Vasco só porque ele separou legalmente o futebol profissional de sua estrutura de clube, se modernizou e se profissionalizou administrativamente.

Os resultados em campo seriam buscados com mais eficiência pelos administradores dessa sociedade anônima, porque esse seria o objetivo primordial daqueles que colocam seu dinheiro na instituição. Ser sócio do Vasco, hoje, além de burocraticamente difícil, não traz retorno algum para quem se associa por amor ao clube. Lembrem bem que estou falando do torcedor que se associa por amor ao clube. Aqueles que são sócios para exercer prerrogativas ou privilégios, a estes não interessa mudar nada e muito menos aumentar o número de sócios votantes, por exemplo, pois quanto menos sócios se meterem a dar palpite na administração, mais fácil será atingir seus objetivos escusos. Para esses grupos de manipuladores e interesseiros, quanto mais restrito e menores forem as opiniões divergentes", mais fácil fica manipular as coisas na direção de seus interesses. A eles interessa que o Vasco tenha muitos torcedores e esteja sempre na mídia, mas tudo do lado de fora das sedes do Vasco, nada de se meter na escolha de dirigentes ou na modernização de sua estrutura.

Isso precisa mudar e a SAF me parece a única solução. A não ser que um investidor bilionário... eu falei bilionário, porque a dívida do Vasco caminha para essa cifra... resolva colocar seu dinheiro num clube que não oferece nenhuma garantia de retorno. Como as empreiteiras brasileiras estão com as barbas de molho, de olho na Lava Jato... e eu não acredito que o Bill Gates entre nessa (aliás nem sei se ele sabe o que é futebol...) acho muito difícil que um salvador da Pátria apareça. Por isso é melhor acreditar no PL da SAF. Caso contrário, como diria o Chapolin Colorado, quem poderá nos salvar???

Infelizmente, gostaríamos de sempre postar artigos sobre o time de futebol do Vasco e suas vitórias, mas se assim o fizer, seria acusado de saudosista e ultrapassado. Lamentavelmente vivemos de vitórias por "um a zero" e, quiçá de penalti... Porém, se abordo assuntos nem sempre atrativos é porque estou ansioso por ver o Vasco se impondo como clube inovador e vencedor, como já foi um dia.

Sausações Vascaínas!

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