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Fiquei algum tempo sem aparecer por causa do vírus, da falta de futebol, da má administração do clube e dos comentaristas da rede que só confundem a gente. Perdi a paciência e voltei pra conversar com vocês pra desabafar e mostrar que o Vasco não sairá da lama enquanto não se livrar dos políticos profissionais que mamam na sua teta. Pra quem não está acostumado com troca de favores e benesses, a vontade de vomitar não passa. Sinto isso como simples sócio, torcedor e comentarista. Mas mesmo assim não me escondo. O futebol, como um esporte, deveria ser saudável para quem pratica e um entretenimento para quem assiste mas o ambiente nem sempre é o que parece ser.

Quando resolvi falar nas redes sociais sobre o Vasco, não queria dar palpite sobre jogos ou fofocas do dia. Até faço isso, mas quando existe alguma razão. Essa não é a minha praia. Desabafar por causa de uma derrota ou por causa de uma fofoca não combinam comigo. Prefiro achar uma razão mais relevante. Sei que política partidária no Vasco não é fofoca e sim um alerta que deveria acordar o vascaíno. Por isso, vou sempre falar de política até você entender o perigo. Eu acompanho o Vasco como sócio e torcedor a muito tempo por causa de um vínculo muito forte com meu avô que teve uma relação profunda com o Vasco da Gama, desde a construção de São Januário. Mas eu nunca tive atração pela política do Vasco. Apenas ouvia comentários e opiniões.

Com o falecimento de meu avô, ainda garoto, passei a acompanhar o clube pela imprensa, numa época em que se podia confiar nela, com alguma reserva e quando o vermelho só representava com dignidade a cor do América Futebol Clube. Daí em diante, comecei a formar meu próprio juízo sobre a política do clube (sempre muito conturbada), sem perder de vista, é claro, o time de futebol. Vibrava com as vitórias e chorava com as derrotas e até um ano atrás, nem imaginava usar a rede para falar de Vasco.

Nunca me distanciei do “Vasco instituição” e da filosofia de seus fundadores. Por formação sempre  desconfiei de pessoas que prometiam o céu na terra. A maioria dos discursos políticos não se transformam em realidade. A intenção é seduzir pessoas e obter apoio para atingir objetivos pessoais, nem sempre decentes. Sempre me preocupou o destino do clube, mais do que as vitórias. Importantes, sim, para os patrocinadores e a torcida mas sem significado algum se comparadas a uma ameaça da extinção da entidade em caso de falência. Tenho certeza que aproveitadores usam o clube com intenção de obter vantagens políticas e financeiras. E o que não falta neste mundo são pessoas inescrupulosas com desejos ocultos e nada cristãos.

Mas antes de continuar a falar de Vasco, gostaria de falar um pouco de mim. Eu sou do Rio e como meu pai era militar, tive oportunidade de conhecer o Brasil e me apaixonar por essa terra. Já adulto percebi que precisava saber ainda mais sobre o meu país. Já havia convivido com brasileiros de vários lugares e isso só fez aumentar meu respeito pelo Brasil e constatar que o Vasco, como diz nosso hino, tem torcedores espalhados de norte a sul. E todos apaixonados por uma mesma história de luta pela igualdade e respeito que não os faz menos vascaínos do que o torcedor carioca.

Eu mudei para Brasília. Foi a última cidade para a qual meu pai havia sido transferido antes de se reformar. Aqui terminei minha faculdade e começou minha trajetória profissional. Descobri que a transferência da capital trouxe pra cá, uma enorme quantidade de vascaínos. Era muito bom conversar com eles e manter o vínculo com o clube. Meus laços e interesse pelo almirante só aumentaram.

Acho importante dizer que meu avô me deu um titulo de sócio Patrimonial, quando eu tinha doze anos. Ele veio de Portugal no início do século passado e fez amizade com o avô do falecido Eurico Miranda. Mas nem por isso defendo o ex-presidente, até porque foi em sua gestão que o meu título, já remido, desapareceu dos arquivos do Vasco. Era uma  época em que não interessava ter muitos sócios votantes. Como curiosidade, sou um pouco mais novo que Eurico e nascemos no mesmo dia do mesmo mês.

Na época do meu avô e até uns vinte e poucos anos atrás, não havia muita relação entre a política vascaína e a política partidária. O povão não se ligava nisso. Não existia internet e nem redes sociais. A política partidária dentro de um clube não chamava muita atenção. Era assunto para fofocas de esquina e notinhas de rodapé na imprensa.

Era um tempo em que o Vasco crescia e eu achava que as vitórias sempre superariam as derrotas. Que os títulos seriam conquistados com facilidade. As brigas internas ficariam restritas a portugueses e descendentes, em busca de espaço nos conselhos ou  administração do Clube.  Ledo engano. O Vasco foi invadido e hoje está recheado de velhos políticos com ideologias estranhas, do tipo levar vantagem. E isso se enraizou na instituição.

Como já disse, passei algum tempo sem postar e nesse novo mundo em que o vírus chinês paralisou o futebol e nossa vida social e econômica, percebi que nada mudou na cabeça dos dirigentes de futebol e do pessoal da rede. A coisa ruim só fez as pessoas se adaptarem aos novos tempos e criar terríveis hábitos. Será que as máscaras vieram para ficar? Quanto tempo passará até você não reconhecer mais o seu vizinho mascarado? Frases do nosso cotidiano como “as máscaras caíram”, cairão, efetivamente em desuso? Nos esconderemos uns dos outros, mantendo um “prudente” distanciamento social dos nossos semelhantes e nos colocaremos, mais facilmente, nas mãos de uma nova ordem mundial?

Infelizmente a maioria dos “formadores de opinião” ficam correndo atrás de likes baratos e manchetes espalhafatosas com conteúdos que dão sono. Bom, mas isso é outro papo. Vamos voltar pra política do Vasco: sem dinheiro em caixa e com um orçamento fantasioso, soterrado por dívidas visíveis e invisíveis, repleto de incompetência, com eleições à vista sem definição de normas claras e seguras, com candidatos papudos, candidatos fantasmas, me resta perguntar: qual será o futuro do Vasco? Respondo: além de contar com os sócios, só vejo uma salvação: o Vasco empresa. Ou surgiria um Chapolin Colorado para nos salvar? Infelizmente não acredito e explico porque:

Ninguém no Vasco tem amor ao clube para doar sua vida e seus recursos e congregar pessoas dispostas a  fazer o mesmo para salvar a instituição ou propor transformar o Vasco em uma Sociedade Anônima onde os acionistas seriam investidores interessados em ganhar dinheiro e os próprios sócios estatutários e torcedores.

O futebol seria administrado profissionalmente por uma empresa. Seriam preservados os direitos dos atuais sócios proprietários e outros que possuam algum direito legal relacionado ao clube. Mas não existe gente com a ousadia dos nossos heróis do passado. Todos tem medo e preferem  se agarrar a um Titanic a fazer água, sonhando que um milagre aconteça.

Caro torcedor, a covardia está lá dentro e os malfeitores são aqueles que mentem para o torcedor com a finalidade de preservar seus privilégios. É fruto da própria politicagem existente. Eu sei que São Januário é nosso orgulho, mas por que ter medo de apostar numa administração profissional?

Semana que vem publico a continuação deste desabafo. Se você não tiver paciência pra esperar, então clique no link: https://youtu.be/okmZsg_Pwnc e assista na íntegra no YouTube.

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