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Todo mundo fala que a queda do Vasco começou há anos. Eu diria há décadas. Pelo menos há mais de 20 anos. Por isso vou começar lá pelos idos de 1999. Nessa época o presidente era o Calçada, e Eurico, um de seus vices, já cochichava nos ouvidos do chefe o que ele devia fazer. Em 2001 ele assumiu a presidência do clube e tentou se perpetuar. 

O que vou resumir aqui é só a história de uma parcela da dívida do Vasco. Pode multiplicar por quanto você quiser até chegar aos cerca de 750 milhões de reais que alguns dizem que é o que o clube deve hoje. Correr atrás de receita para cobrir desmandos acaba terminando na porta de um banco e o Vasco achou que se trouxesse o banco para dentro, tudo ficaria mais fácil. Fechou patrocínio com o Nations Bank americano, já em processo de fusão com o atual Bank of America. Acredito que os banqueiros pensavam que seria bom patrocinar um grande clube de futebol do Brasil, que na época ainda era o país do futebol.

Mas imagine um banco, um dos maiores do mundo, dialogando com um dirigente que não gostava de prestar contas. Não estou dizendo que fazia isso por desonestidade, podia ser, até, por incompetência ou sei lá o que, mas que foi uma grande pisada na bola, lá isso foi. Se não deu certo, então me explique por que o banco tirou o time? Se foi sacanagem, então me diga de quanto foi a multa que o banco pagou? Ou quanto foi que o Vasco recebeu no processo que moveu contra o banco? Ou não teve processo nenhum?      

Na verdade a justificativa para o fracasso do “famoso” projeto olímpico vascaíno foram apenas desculpas esfarrapadas, acusações contra governos e entidades olímpicas em vez de explicações sobre o desvio do dinheiro do futebol para manter um projeto megalomaníaco. A verdade é que desde aquela época até hoje, o Vasco não se aprumou. 

Poderia citar muitos enganos para justificar o declínio do Vasco, mas prefiro me ater a um artigo da Folha de São Paulo, de 20 de julho de 2003, que descreve alguns episódios, com os testemunhos de alguns atletas, participantes do projeto olímpico. O nome do artigo era: “Vasco vê seu projeto olímpico ruir e agora enfrenta processos de ex-atletas". 

Ele começa falando do sonho, dos ótimos salários e dos contratos com duração longa e da promessa de uma estrutura nunca vista antes no esporte olímpico brasileiro. Um sonho de qualquer atleta. (AÍ EU JÁ COMEÇO A QUESTIONAR: O VASCO TINHA QUE FAZER ISTO? POR QUE FEZ ISSO?) 

E segue o artigo dizendo que quatro anos após o lançamento e consequente fracasso, o Vasco ainda precisava cuidar das feridas causadas pela empreitada. (TUDO COMEÇOU EM 1999, ANO DOS JOGOS PANAMERICANOS EM WINNIPEG, CANADÁ. A TORCIDA TINHA INTERESSE NESSE PROJETO? O VASCO NÃO ERA, PRIORITARIAMENTE, UM CLUBE DE FUTEBOL? E PELO JEITO AS FERIDAS AINDA NÃO CICATRIZARAM.) 

O artigo cita atrasos em salários e o ressentimento dos atletas com o clube que não cumpria as promessas feitas. Alguns deles decidiram entrar na justiça para receber o seu dinheiro. (QUANTOS ENTRARAM NA JUSTIÇA E QUANTO ISSO CUSTOU (OU AINDA CUSTA) AO VASCO? MISTÉRIO...)

O artigo relata que na época do panamericano de Winnipeg, o investimento anual era de 17,8 milhões de reais, três vezes mais do que o investimento do governo federal. Isso atraiu a maioria dos atletas de ponta. (ISSO, A VALORES DE HOJE (PELO IPCA), DARIA, APROXIMADAMENTE 67 MILHÕES DE REAIS PARA O PRIMEIRO ANO. NÃO SEI SE ESSE ERA O VALOR FINAL.)

O  projeto, que incluía modalidades como boliche, bodyboarding, windsurfe, rodeio e até rali, também patrocinaria categorias paraolímpicas. O Vasco tinha 160 dos 436 atletas no panamericano de Winnipeg. Cita, ainda a folha, que para a olimpíada de 2000, em Sydney, as despesas seriam de 30 milhões, maior do que os 23 milhões que o Comitê Olímpico Brasileiro destinou para toda a Olimpíada, na qual o Vasco enviou 83 atletas, dos quais 19 trouxeram medalhas. (SE FOSSE HOJE, A DESPESA SERIA DE 114 MILHÕES DE REAIS, MAIS DO QUE OS 100 MILHÕES QUE O VASCO ESTIMA PERDER COM A QUEDA PARA A SEGUNDA DIVISÃO ESTE ANO.) 

Diz ainda o artigo que após os jogos olímpicos, a coisa começou a dar pra trás mas Eurico garantiu que não abandonaria nenhum atleta. O problema é que logo logo 

começaram as reclamações por atraso nos repasses e um após outro os atletas começaram a abandonar o barco. (EURICO JÁ ERA BRAVATEIRO, DESDE AQUELA ÉPOCA. PROMETIA MAS NÃO CUMPRIA. VENDIA MAS NÃO ENTREGAVA.)

 A Folha continuava e na sequência do artigo citava que Eurico reclamou, abre aspas, “da falta de ajuda do governo e do Comitê Olímpico Brasileiro e que precisou tirar do futebol o dinheiro para investir nos esportes olímpicos”. E continuou: “quando o futebol não dá dinheiro, a solução é cortar tudo”. (DÁ PRA VER QUE HÁ MAIS DE 20 ANOS ELE JÁ TINHA AS DESCULPAS NA PONTA DA LÍNGUA.) 

E ele continua, no artigo, criticando os gestores do esporte olímpico do Brasil, que, segundo ele, não dedicam a atenção devida aos clubes formadores de atletas. (QUE NOVIDADE, NÃO É? PENA QUE NIGUÉM OUVIU, NÃO É? QUAL O GRANDE CLUBE DE FUTEBOL QUE INVESTE MAIS EM ESPORTES OLÍMPICOS DO QUE NO FUTEBOL? MAIS UMA DESCULPA DO AMPLO DICIONÁRIO DO FANFARRÃO.) 

Argumenta, a seguir, sem explicar ou justificar, que a parceria com o Bank of America começou a minguar e com ele foi pro espaço o projeto milionário. (AÍ EU PERGUNTO: POR QUE A PARCERIA FOI POR ÁGUA A BAIXO? O BANK OF AMÉRICA ERA FORTE, É A SEGUNDA MAIOR HOLDING BANCÁRIA DE LÁ. OU TERIA SIDO PORQUE OS AMERICANOS NÃO CAIRAM NA LÁBIA DO PARLAPATÃO?) 

Em seguida, a folha divulga alguns casos de atletas que colocaram o Vasco na justiça. Um dos casos, inclusive, envolve a oferta de um imóvel em São Januário para pagar a dívida e que, graças ao bom Deus, não se concretizou. Outro absurdo foi que o Vasco patrocinou muitos dos atletas de basquete, campeões brasileiros e sul americanos, o que acabou gerando uma grande dívida. (AÍ EU PERGUNTO: ONDE ESTAVAM OS CONSELHEIROS DO VASCO, NESSA ÉPOCA.)

No panamericano de 2003, o Vasco só tinha dois representantes. Enquanto isso, um exército de ex-atletas do clube representavam outras agremiações. O sonho dourado havia terminado. (A AVENTURA PASSOU PELO PANAMERICANO DE WINNIPEG DE 1999 E OLIMPÍADA DE SIDNEY DE 2000 E MORREU ANTES DE SANTO DOMINGO. 

Não gosto nem de imaginar o valor total dessa aventura. Se o Vasco fosse uma empresa, teria falido, mas como é uma associação desportiva, ele vai encolhendo, encolhendo, encolhendo, até desaparecer ou ser encampado por uma outra agremiação, o que não aconteceu por conta da resiliência de sua torcida. 

O dinheiro do patrocínio do Bank of America, que deveria ser usado para o futebol e foi usado para pagar contas de outros esportes (e pelo visto não pagou muita gente), com certeza gerou dívida tributária e fiscal. São impostos, taxas, contribuições sociais relacionadas a salários, etc. Você sabe que tributo, no Brasil, pesa no bolso... Eu não tenho a menor ideia de quanto o Vasco deve para a Receita Federal, INSS, etc., e quanto custa ao clube esse eterno desequilíbrio financeiro, mas, com certeza, não é uma mixaria).

Se somarmos ao prejuízo do projeto olímpico o custo de outras decisões atrapalhadas e camufladas do Eurico e mais as administrações pífias do Dinamite e a passagem de Campello, que não deixou saudade, dá pra imaginar, por alto, porque o Vasco está nessa draga danada. 

Trazendo para os dias de hoje, fico com a pulga atrás da orelha, sem entender por que os tradicionais e antigos herdeiros daquela velha política e os herdeiros funcionais do falecido e longevo ex-presidente preferiram apoiar o candidato que se oferecia como “a salvação”. Por que será? 

Assista, no meu humilde e minúsculo canal, um pouco mais dessa enrascada. No futuro, por causa da série "B", vou me dedicar ao desempenho do time de futebol, intercalando com as coisas de dentro do Vasco.

https://www.youtube.com/watch?v=zqYC7KZepis&t=5s

Saudações Vascaínas!

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