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Não é privilégio do Vasco o tumulto. O brasileiro, incentivado pela mídia que adora o futrico, a intriga e a difamação (que, segundo eles é o que vende), encontrou mais um prato feito na queda do Vasco para a segunda divisão. Explico isso: o brasileiro é adestrado para valorizar mais a fofoca e a desgraça do que o sucesso proveniente de ações sadias. A cartilha das novelas, onde a doutrina do quanto pior, melhor, foi enfiada goela abaixo do brasileiro, como se regra fosse (me desculpem os apreciadores do BBB). Se você é um dos poucos que conseguiu entender isso e se livrou dessa armadilha, parabéns! Mas um número imenso de pessoas caiu e reza por esse conjunto de regras.

Vejam que o Botafogo também caiu para a segundona, mas como a galera do Vasco é muito maior e causa mais impacto midiático, a queda do Botafogo fica relegada a segundo plano. É tipo assim: o Vasco fica na capa da mídia e o Botafogo nas páginas internas. É assim que funciona com a mídia tradicional. A novidade é que o novo apêndice dessa mídia, o segmento dos Youtubers ou blogueiros (sejam eles jornalistas ou não), que cresce divulgando notícias do clube e briga por cliques para obter receita, ganhou importância numa triste guerra de narrativas. E como o Vasco tem uma torcida gigante, ávida por notícias frescas, esse novo segmento tem público disposto a ouvi-los.

Eu penso diferente: não é a mídia (a nova ou a tradicional), provocando algazarra, disseminando fofoca, mentindo ou acusando quem eles querem denegrir (sei lá a mando de quem), que vai resolver o problema do Vasco. Estou aqui para colocar ordem nessa balburdia. Não sou o dono da verdade, mas sei que o radicalismo não é a solução. Coloco a razão acima dos interesses pessoais e acima da comoção baseada em falsa emoção. Para colocar as coisas nos devidos lugares, precisamos responder perguntas lógicas que surgem na cabeça das pessoas sensatas.

Pergunta número um: o atual presidente do Vasco é culpado pela atual situação do clube? Não adianta acusar ou xingar. Provas são necessárias. Eu não votei nele, mas não encontro indícios de que seja culpado diretamente pela queda (afinal acabou de assumir). Quanto a sua capacidade administrativa, se alguém tiver evidência ou prova de sua incompetência, que a apresente (eu disse EVIDÊNCIA, INDÍCIO, PROVA!).

Pergunta número dois: o presidente, recém-saído do cargo, é o culpado? Acredito que tenha responsabilidade, mas qual sua responsabilidade pela queda?  Seria incompetência? Má gestão administrativo-financeira? Talvez sim, pois era o chefe, cabeça da administração, mas e seus colaboradores? Ou seria ele tão centralizador a ponto de não ouvir e não se aconselhar com seus pares? Não sei. Se alguém tiver indícios ou provas de que era centralizador a ponto de se transformar em um ditador, que mostre as evidências. Se alguém souber, com fidelidade, o que aconteceu no dia 20 de janeiro de 2018, no episódio que ficou conhecido como “o golpe”, que, pela primeira vez impediu que um candidato eleito pelos sócios assumisse o cargo, explique o ocorrido e cite os nomes dos participantes dessa estripulia. Este é um episódio com muitas versões, mas que permanece envolto em mistério. E o que começa mal, acaba pior ainda (o exemplo é a eleição de 2020).

Pergunta número três: os órgãos estatutários do Vasco, com poderes de aconselhar, deliberar, decidir e fiscalizar os atos da diretoria executiva, são culpados pela queda? Como agiram durante o mandato da última diretoria? Agiram, verdadeiramente de forma conciliadora, objetivando o melhor para o clube ou agiram como um partido político, preocupados com seu próprio rabo? Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal, Conselho de Beneméritos e Assembleia Geral agiram visando a harmonia, o bem do clube e o que era melhor para o torcedor? Particularmente, discordei de muitas ações desses órgãos, mas não posso sentenciar apenas pelo que ouvi na mídia ou li em notas oficiais. Aqui, culpo vários integrantes dos diversos conselhos, com base em minha avaliação sobre a atuação política de diversos deles. Quem quiser saber minha opinião, assista meus vídeos ou leia meus artigos, disponíveis no meu canal do YouTube e no meu blog do Supervasco.

Pergunta número quatro: a torcida é culpada? Não vou aliviar para a torcida, dizendo que ela é a grande castigada e punida com a queda. Claro que ela sofre muito, mas isso já acontece há anos e agora, mais uma vez, tem o imenso amor pelo clube, não correspondido. Nenhuma outra torcida faz o que a nossa faz pelo clube (talvez por não haver um clube com história similar à nossa). E onde está sua culpa? Na desunião, falta de clarividência e racionalidade. Isso ficou evidenciado agora, em mais uma eleição tumultuada. Torcedores engajados nas redes sociais, manipulados por grupos políticos, estão sendo aconselhados a não aceitar decisões judiciais, destilando ódio e rancor, colocando torcedor contra torcedor, fazendo-os esquecer que o que nos une é o amor único que temos ao clube. A ingenuidade e inocência do torcedor, conduzido por esses caminhos, tem uma única consequência: destruição do legado dos fundadores do Vasco, distanciamento da alegria das vitórias, tristeza e descrédito total. O Vasco da Cruz de Cristo, da Cruz de Malta, o clube cristão, teve seus fundamentos originários sequestrados por políticos ateus que nunca prezaram a doutrina cristã (nem nela acreditam), com a única intenção de usar a bandeira de união e igualdade em proveito próprio (procurem saber quem sãos esses sanguessugas).

Pergunta número cinco: as direções anteriores são culpadas? Claro! Quem cultiva o caos financeiro, afastando o interesse de investidores, dificultando a obtenção de vitórias esportivas, abrindo mão do protagonismo, não pode colher frutos sadios. Não podemos ser ingênuos e acreditar que a divida não possui seus próprios mecanismos de realimentação, se não for estancada, reduzida, extinta ou administrada. O problema, no entanto, não é a dívida, mas sim a sua origem e motivação e, principalmente, a forma como ela vem sendo administrada há décadas.

As perguntas que o torcedor quer que sejam respondidas são as seguintes:

- Porque obtivemos empréstimos?

- O que fizemos com os empréstimos?

- Em que condições esses empréstimos foram obtidos?

- Quem aprovou ou concordou com esses empréstimos?

- Os empréstimos foram acompanhados, fiscalizados e auditados (onde estão os documentos)? 

- Se não foram pagos, onde estão registradas as consequências do não pagamento e sua evolução (balanços, balancetes)?

- Que órgãos internos (CD, CF, AG, CB) tinham conhecimento desses empréstimos, a evolução da dívida e que ações tomaram?

- Que diretoria prestou contas da situação financeira do clube para a nova diretoria que assumia (abrindo a caixa preta)?

- Quem foi responsabilizado, de alguma forma, pelo não pagamento das dívidas? Se ninguém, por que? (nesse caso, todos os órgãos do clube são culpados, seja por conivência, cumplicidade ou incompetência).

Responder todas essas perguntas me parece simples, se bem que trabalhoso. O difícil é afastar o viés político e evitar a ação de algumas pessoas que optaram por adorar (ou cultuar) pessoas ao invés de preservar a instituição (quase uma alienação). Complicado, também, seria dimensionar a pena dos culpados, pois são tantos réus em décadas, com diversos graus de culpabilidade, que não existe posologia que regule a dosimetria da pena cabível a cada um deles. O remédio deveria ser administrado, desde uma gota a milhares de frascos, aos responsáveis pelos crimes cometidos contra o Vasco. PUNIR OS CULPADOS: UM DIA ISSO SERÁ CONSIDERADO PRIORITÁRIO?

A realidade é que quanto menor for o interesse do torcedor em participar da vida estatutária do clube, mais fácil será a ação dos aproveitadores (e eles tem ciência disso há anos).  Os aventureiros são especialistas em criar ambientes hostis, que a maioria das pessoas (de boa índole) evita frequentar. Isso abre caminho para aqueles que gostam de agir na escuridão. A verdade é que as novas gerações não encontram mais motivação para torcer (e sofrer) por um clube com futuro incerto (afinal, masoquismo é uma psicopatologia). Assim, chegará uma época em que a bela história do Vasco ficará tão longe da realidade, que não haverá motivo para crianças e jovens acompanhar e torcer para um clube que não obtém vitórias e maltrata seus torcedores. Como isso já vem acontecendo há algum tempo (ou gerações), ninguém estranha que o clube esteja perdendo posições no ranking  dos clubes de futebol brasileiro. Por isso sou a favor de que se conscientize (ou eduque) o torcedor para que coloque o clube acima das pessoas e que todo sócio, inclusive o sócio torcedor, tenha o mesmo direito do sócio estatutário votante, para tentar iniciar uma reação.

Como já estou cansado e triste de falar desse assunto, deixo o tema sobre “como começou a bateção de carteira do Vasco, o descontrole da dívida e aonde isso está nos levando”, para o próximo artigo. Até mais!

Saudações Vascainas!

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