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Minha proposta era redigir dois artigos por mês, com consistência e coerência e publicá-los neste espaço disponibilizado pelo site anfitrião Supervasco. Propunha-me, ainda, tratar de assuntos relacionados ao funcionamento do Vasco, como instituição associativa e desportiva, principalmente no que diz respeito a modernização de seus instrumentos formais de gestão, como Estatuto e Regimentos Internos. Não gostaria de discutir política interna, nem me manifestar sobre confrontos entre facções antagônicas, fruto de um embate democrático que polariza opiniões. Posturas emocionais acima das racionais tendem a fugir de controle. Por isso deveria me ater a discussão dos documentos formais importantes e que poderiam ser reformados e/ou criados para consolidar e disseminar uma filosofia de inserção do torcedor como objetivo principal da existência e evolução da entidade, associado aos objetivos sociais e desportivos.

Infelizmente, no Vasco, o embate tem sido vencido pelo “eu” em detrimento do “nós“ e o bom entendimento está mais distante de ocorrer do que a primeira viagem a Marte. Sinais de boa vontade não existem. Não há hipótese das partes conjugarem os verbos ceder, reconhecer, admitir e unir. Essa situação incompreensível mexe com a cabeça da gente. É muito ódio e rancor entre partes que juram amor à mesma causa. Isso me deixa desconfortável. Resolvi dar minha opinião.

Primeiramente, decidi dar um tempo para esfriar a cabeça e refletir sobre o episódio triste do rebaixamento do Vasco. Não queria proferir opinião ou julgamento precipitado para não ter que recuar e desdizer o que tivesse afirmado, e por isso, após muita introspecção concluí que o título deste desabafo era o mais adequado ao momento que atravessamos no clube, porque é a carapuça que cabe em nossos dirigentes. Procurei entender porque chegamos a esse estágio (evito falar em “fundo do poço”, porque no Brasil o buraco é sempre mais embaixo) e não consegui, a não ser pelas já conhecidas e velhas razões: incompetência, egoísmo e apropriação indébita de bem alheio.

Pensei, inicialmente, em como opinar sobre administração do clube neste momento delicado, sem ser taxado de passional, intransigente ou tendencioso. Falar de futebol é mais fácil, afinal somos mais de duzentos milhões de treinadores, cada um com suas opiniões. Por isso, acabei por concluir que deveria separar as coisas: usaria o espaço do blog para, esporadicamente tratar de futebol e constantemente opinar sobre as consequências dos atos praticados pelos dirigentes (de hoje, ontem, anteontem e sempre). Como conhecedor de futebol posso ser contestado, mas como torcedor sou pós graduado.

Por isso, deixo claro que as opiniões emitidas nesta décima postagem deste Blog não são direcionadas a pessoas, mas sim aos gestores ou ex-gestores. Infelizmente, em se tratando de Vasco da Gama, o atual presidente, autointitulado “supremo mandatário”, não autoriza outro integrante de sua administração a falar em nome do clube, o que acaba atraindo para si todas as criticas. Porém, independentemente do desejo do presidente, eu crítico o poder de forma geral, incluindo todos que possuem função administrativa como responsáveis pela situação caótica que o clube se encontra, quer por ação ou omissão. Esconder-se não exime ninguém de culpa. Pedir as contas, demitir-se do grupo exclui o indivíduo deste passivo, mas isso à partir da data do desligamento. Enquanto não o fizer, considero-os, todos, administrativamente responsáveis pela gestão do clube. E por que digo isso? Porque criaram-se situações estapafúrdias para fugir das responsabilidades: um diz que tem problemas pessoais para resolver e tira licença, outro tem um carnaval para realizar, o outro vai realizar cirurgia... A minha resposta para isso vem na forma de uma nova pergunta: se tinham problemas particulares, ou estavam doentes ou queriam ver o que que a baiana tem, por que se meteram em administrar o Vasco??? Empresa não se administra dessa forma não!

A seguir, cito casos emblemáticos que justificam a culpa de todos à frente da atual administração. Foram tantos erros cometidos em 2015, que não consigo crer numa tentativa séria de dotar o clube de uma administração profissional.

Destaco, dentre as decisões arbitrárias, autoritárias e inadmissíveis tomadas, a da desistência de prosseguir com o processo de ressarcimento movido pela diretoria anterior, contra o atual presidente, pelo dano causado por sua atitude intempestiva frente a um Juiz de Direito, que gerou uma decisão judicial contra o dito cujo e que o próprio, no exercício de sua administração, pagou com dinheiro do Vasco. A decisão de desistir do processo (àquela altura com grande probabilidade de vitória do clube) foi levada pelo presidente ao Conselho Deliberativo, que acolheu o pedido de retirar a ação, sendo, todos, expressamente responsáveis pelo prejuízo.

Outra decisão obscura foi a do reconhecimento de dívida do clube em favor do vice- presidente de futebol (licenciado até o início de janeiro de 2016), sem transparência e com claro interesse de beneficiar o dirigente diretamente interessado. Isso acarretou um passivo de mais de 8 milhões de reais, em cima de um reconhecimento de dívida trancado a sete chaves. Mas isso deve ser mixaria, pois o presidente não perde uma oportunidade de divulgar aos quatro ventos o prejuízo causado pelo presidente anterior, muitissimamente maior do que esses milhõezinhos.

Outra ofensa à minha inteligência foi a criação de uma auditoria, entregue a uma firma absolutamente idônea, que teve que interromper os trabalhos por falta de documentos contábeis a auditar. Será que o presidente, que sempre teve trânsito livre em São Januário, mesmo quando foi oposição e presidia o Conselho de Beneméritos e mesmo durante os 11 meses da sua atual gestão, não teve curiosidade de mandar um subordinado verificar como estava a contabilidade do clube? Isso parece armação para colocar a culpa na ineficaz e pífia administração anterior, desviando o foco da maior tragédia do clube, a terceira queda para a segunda divisão.

Causa-me muita revolta a falta de respeito com o torcedor. Na minha opinião, sem nenhuma sombra de dúvida o torcedor é o maior prejudicado por uma administração autoritária e incompetente. A arrogância daquele que se acha dono do clube ofende o torcedor naquilo que mais o torcedor preza, o respeito. Aquele mesmo respeito que o presidente prometeu que iria voltar e que, dentre as inúmeras promessas não cumpridas, foi a primeira a ser esquecida.

Para os vascaínos que acompanham o dia a dia da instituição, os erros cometidos pela diretoria superaram os acertos em proporção inversa à posição obtida na tabela de classificação do campeonato brasileiro. Não fosse a reação tardia e ineficaz, teríamos terminado em primeiro lugar entre os clubes mais mal administrados do país, quiçá do mundo.

Paro por aqui, porque as coisas no País estão mal, no Vasco estão horríveis e preciso continuar vivendo. Mas como sou vascaíno, morro com a cruz de Malta no peito e a esperança no coração!

Saudações Vascaínas!

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